Impunidade - Francisco Amaral
Jornalista, Titular da Academia Itaitubense de letras
Nesta semana, damos ênfase a um crime ocorrido em nossa região, antes mesmo do assassinato da missionária norte americana Dorothy Stang (12/02/2005). Porém, até agora, a Polícia não conseguiu identificar nenhum envolvido e já nem se ouve falar em Adilson Preste, o militante da CPT em Itaituba, que foi morto em 03 de julho de 2004, com quatro tiros, disparados por dois pistoleiros, na porta de sua casa, na Gleba Curuá, no Município de Novo Progresso.O inquérito policial de um crime, que mais pareceu um “cala boca” encomendado pelo mesmo consórcio de fazendeiros e madeireiros que ele havia denunciado, parece ter sido engavetado. Ninguém mais fala sobre o crime. Os pistoleiros, ninguém sabe, ninguém viu; os mandantes, muito menos.Apesar da impunidade, podemos afirmar que trata-se de um caso semelhante ao do assassinato da Missionária Dorothy Stang, já que Preste denunciava grileiros e predadores dos recursos naturais e era amigo dos humildes e pobres, principalmente, os índios caiapós. Como a missionária, o jovem de 33 anos, que andava com um grande crucifixo com a imagem de Cristo no peito, não teve nenhuma chance de defesa.Antes de sua morte esteve em Belém denunciando a grilagem de terras, a exploração ilegal de mogno e o crime organizado na Terra do Meio. Suas denúncias foram ignoradas e nem o aviso de que estava marcado para morrer, sensibilizou os engravatados que o ouviram.Como me referi no início, apesar de tratarem-se de casos semelhantes, alguns fatores podem ter contribuído para que seu assassinato não tenha sido desvendado e os culpados estejam impunes: Ao contrário de Dorothy Stang, da qual os assassinos, contratantes e mandantes já estão sendo julgados e condenados, Adilson Preste era um homem rude da floresta, ilustre desconhecido, que defendia a Amazônia a seu modo e era Brasileiro.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home